domingo, 5 de setembro de 2010

DORT - A doença da era moderna.









As atividades modernas são muito pobres em movimentos. À medida que evolui, o trabalho torna-se mais dependente da técnica, o que aumenta de forma assustadora o número de acidentes e doenças profissionais. Cada profissão tem implicações características que podem trazer àqueles que a exercem patologias específicas, as doenças ocupacionais. Certas atividades exigem dos trabalhadores a ação dos mesmos grupos musculares por meses ou anos a fio podendo levar ao desenvolvimento de lesões.

O ser humano necessita de condições ambientais favoráveis, de nutrição física e afetiva, de manutenção satisfatória e de boa relação com o trabalho. O bem-estar e a produtividade dependem das condições físicas e da relação das pessoas entre si e com o trabalho. Boa parte da vida de todos os seres humanos adultos está envolvida com o desenvolvimento de sua atividade profissional.

A Organização Mundial de Saúde – OMS – ressalta que o ambiente, as estruturas básicas e o desempenho no trabalho têm participação significativa na instalação das doenças associadas ao trabalho3. Esses distúrbios relacionados ao trabalho causam inicialmente dor, e podem evoluir, se não diagnosticados, para a incapacidade de realizar movimentos, de forma temporária ou mesmo permanente.

O índice de DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) vem crescendo exageradamente nos últimos anos, tendo como principais causas fatores biomecânicos, organizacionais no trabalho e sociais. Devido a esta realidade, se faz cada vez mais necessário assegurar a energia e o compromisso das pessoas com novas formas de trabalho e de comportamento, estimuladas por um ambiente de trabalho excitante, recompensador e envolvente. Um componente importante desta estratégia é incentivar as pessoas a uma nova cultura de hábitos saudáveis, tornando-as capazes de condicionarem-se e permanecerem fisicamente capazes para a realização de suas atividades laborativas na sua vida diária.


A atuação da fisioterapia nas empresas cresce a cada dia, devido à descoberta, pelos empresários, da importância de investimentos em ações preventivas nas suas empresas, para o combate de doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho. Companhias no mundo gastam milhões de dólares por ano na manutenção preventiva de suas máquinas, sendo o feito um investimento muito menor nos funcionários.

A ginástica laboral tem ganho destaque no Brasil nos últimos 02 anos, sendo utilizada dentro do conjunto de medidas que visam prevenir o aparecimento de lesões músculo-ligamentares ligadas às atividades desenvolvidas no ambiente de trabalho. Esse tipo de programa é um importante instrumento formativo e educativo, pois funcionários treinados e adaptados, ergonomicamente, executam as tarefas laborativas diárias com menor dispêndio energético, diminuindo o risco de lesões ocupacionais, o que acarreta também um aumento qualitativo e quantitativo do trabalho.

A prevenção de lesões osteomusculares e articulares é o fator diferencial para o sucesso das organizações, ambiente de trabalho adaptado ergonomicamente com trabalhadores saudáveis e preparados para as solicitações musculares diárias, refletirão beneficamente no desempenho da empresa e na qualidade de vida dos seus trabalhadores.

Formular um programa preventivo e reabilitador personalizado para cada setor da empresa, com base no levantamento dos pontos críticos de cada um, visando a diminuição do número de afastamentos por DORT, a melhora na qualidade do ambiente de trabalho com conseqüentemente o aumento da produtividade.



DORT/LER - Doenças de domínio público





1. Definição de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
Há muitas definições. Porém o conceito básico é de que se tratam de alterações e sintomas de diversos níveis de intensidade nas estruturas osteomusculares (tendões, sinovias, articulações, nervos, músculos), além de alteração do sistema modulador da dor. Esse quadro clinico é decorrente do excesso de uso do sistema osteomuscular no trabalho
2. Como evitar as LER / DORT?
Pode-se:
• Incentivar o trabalhador a prestar atenção em sintomas e limitações, mesmo que pequenas, e orientá-lo a procurar logo auxílio;
• Propiciar aos médicos que atendem a os trabalhadores um diálogo com a empresa nos casos que houver necessidade de mudar as características do oposto de trabalho;
• Propiciar ao médicos reciclagem para que possam atender adequadamente o trabalhador;
• Ter uma atitude de amparo ao trabalhador com LER / DORT tanto em relação ao tratamento quanto a reabilitação;
• Ter uma política de prevenção, para que se evite o adoecimento de mais trabalhadores;
• Realizar atividades como Ginástica Laboral, pois a mesma tem mostrado excelentes resultados na prevenção dessas doenças.
3. Quais são as características do trabalhador que propiciam a ocorrência de LER / DORT?
Repetitividade, excesso de movimentos, falta de flexibilidade de tempo e ritmo, exigência de produtividade, falta de canais de diálogo entre trabalhadores e empresa, pressão das chefias para manter a produtividade, mobiliário e equipamentos inadequados.
4. Como se previnem as LER / DORT?
A prevenção de LER / DORT deve pressupor a mudança das características acima citadas. Essa mudança atinge o modo de se trabalhar, as relações entre colegas, as relações com a chefia, a organização do trabalho.
Assim, prevenção de LER / DORT não é sinônimo de mera troca de mobiliário
5. É necessária a contratação de especialistas para a prevenção de LER / DORT?
Em geral a empresa necessita de especialistas que auxiliem no diagnóstico da situação e profissionais capazes de ministrar atividades físicas específicas para prevenir tais patologias. Mas um ponto é fundamental eles não podem nunca agir sozinhos descolados da empresa e dos trabalhadores
Nem as empresas nem os trabalhadores podem ser substituídos em seus papéis de protagonistas nas mudanças.
6. Algumas das obrigações dos médicos que trabalham nas empresas em relação aos trabalhadores e o ambiente de trabalho:• Conhecer os processos produtivos;
• Avaliar o trabalhador, tentado adaptar o trabalho às condições do trabalhador;
• Dar conhecimento aos empresários, trabalhadores, comissões de saúde, CIPAs e representantes sindicais dos riscos no ambiente de trabalho;
• Notificar o órgão político, competente , através de documentos apropriados quando houver suspeita ou comprovação de transtornos da saúde atribuíveis;
• Atuar junto à empresa.
7. Dar informações ao paciente sobre questões relacionados a sua saúde vai contra o Código de Ética Médica?
Não, ao contrário. O médico deve esclarecer o seu paciente sobre sua saúde.







Ranking de países que são afetados por DORT





1º - Japão
2º - Austrália
3º - Estados Unidos
4º - Países Escandinavos
5º - Brasil (principalmente a partir da década de 80)



Fonte: Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Prevenção Ler e Dort

Breve histórico da Segurança do Trabalho.



A informação mais antiga sobre a preocupação com a segurança do trabalho está registrada num documento egípcio. O papiro Anastacius V fala da preservação da saúde e da vida do trabalhador e descreve as condições de trabalho de um pedreiro. Também no Egito, no ano 2360 a.C., uma insurreição geral dos trabalhadores, deflagrada nas minas de cobre, evidenciou ao faraó a necessidade de melhorar as condições de vida dos escravos.

O Império Romano aprofundou o estudo da proteção médico-legal dos trabalhadores e elaborou leis para sua garantia. Os pioneiros do estabelecimento de medidas de prevenção de acidentes foram Plínio e Rotário, que pela primeira vez recomendaram o uso de máscaras para evitar que os trabalhadores respirassem poeiras metálicas.

As primeiras ordenações aos fabricantes para a adoção de medidas de higiene do trabalho datam da Idade Média. Os levantamentos das doenças profissionais, promovidos pelas associações de trabalhadores medievais, tiveram grande influência sobre a segurança do trabalho no Renascimento. Nesse período, destacaram-se Samuel Stockausen como pioneiro da inspeção médica no trabalho e Bernardino Ramazzini como sistematizador de todos os conhecimentos acumulados sobre segurança, que os transmitiu aos responsáveis pelo bem-estar social dos trabalhadores da época na obra intitulada De morbis artificum (1760; Sobre as doenças dos trabalhadores).

Em 1779, a Academia de Medicina da França já fazia constar em seus anais um trabalho sobre as causas e prevenção de acidentes. Em Milão, Pietro Verri fundou, no mesmo ano, a primeira sociedade filantrópica, visando ao bem-estar do trabalhador. A revolução industrial criou a necessidade de preservar o potencial humano como forma de garantir a produção.
A sistematização dos procedimentos preventivos ocorreu primeiro nos Estados Unidos, no início do século XX. Na África, Ásia, Austrália e América Latina os comitês de segurança e higiene nasceram logo após a fundação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1919.


HISTÓRIA DO PREVENCIONISMO NO BRASIL

A industrialização do Brasil é lenta e a passagem do artesanato à indústria é demorada. Traçando um pequeno histórico da legislação trabalhista brasileira, destacamos:

1- Em 15 de janeiro de 1919 é promulgada a primeira Lei nº 3724 sobre Acidente de trabalho, já com o conceito do risco profissional. Esta mesma Lei é alterada em 5 de março do mesmo ano pelo Decreto 13.493 e em 10 de julho de 1934, pelo Decreto 24.637. Em 10 de novembro de 1944, é revogada pelo Decreto Lei 7.036 que dá às autoridades do Ministério do Trabalho a incumbência de Fiscalizar a Lei dos Acidentes do Trabalho.

2- Em 01 de Maio de 1943 houve a publicação do Decreto Lei 5.452 que aprovou a CLT, Consolidação das Leis do Trabalho, cujo capítulo V refere-se a Segurança e Medicina do Trabalho.

3- Em 1953 a Portaria 155 regulamenta e organiza as CIPA´s e estabelece normas para seu funcionamento.

4- A Portaria 319 de 30.12.60 regulamenta a uso dos EPI´s.

5- Em 28 de Fevereiro de 1967 o Decreto Lei 7036 foi revogado pelo Decreto Lei n.º 293.

6- A Lei 5.136 – Lei de Acidente de Trabalho – surge em 14 de Setembro de 1967.

7- Em 1968 a Portaria 32 fixa as condições para organização e funcionamento das CIPA´s nas Empresas.

8- Em 1972 a Portaria 3.237 determina obrigatoriedade do serviço Especializado de Segurança do Trabalho.

9- Em 22 de Dezembro de 1977 é aprovada a Lei 6.514 que modifica o Capítulo V da CLT.

10- Em 08 de Junho de 1978 a Lei 6.514 é regulamentada pela Portaria 3.214.

11- Em 27 de Novembro de 1985 a Lei 7.140 – dispõe sobre a Especialização de Engenheiros e Arquitetos em Engenheiro de Segurança.

12- Em 17 de Março de 1985 a Portaria 05 constitui a Comissão Nacional de Representantes de Trabalhadores para Assuntos de Segurança do Trabalho.

13- Em 1973 a Lei 5.889 e Portaria 3.067 de 12 de Abril de 1988 aprovam as Normas Regulamentadoras Rurais relativas à Segurança do Trabalho.

14- Em 05 de Outubro de 1988 a Constituição do Brasil nas Disposições Transitórias Art. 10 item II, garante aos membros da CIPA a garantia do emprego.
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